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O futuro da ICANN

Primeiro Fórum .ORG Anual

Apresentado pela
Public Interest Registry
Washington, DC

28 de janeiro de 2010

Rod Beckstrom, Presidente e Diretor Geral da
Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN)

Discurso de abertura —

Obrigado, Alexa. É um enorme prazer estar aqui com você e a sua maravilhosa equipe na Public Interest Registry (PIR). Estou contente de poder me unir a você e aos membros da PIR, .org e a Internet Society community aqui em Washington, DC, hoje. Além disso, eu a cumprimento, Alexa, por sua excepcional liderança no comando da PIR e por seu apoio ativo aos participantes do ecossistema da Internet em geral, bem como a mim, o novo CEO da ICANN. A sua amigável acolhida e suporte significam muito.

1. A comunidade PIR

Você e esta comunidade iluminada e inovadora, incorporam tanto do que é poderoso, transformacional e universalmente benéfico abrangido atualmente pela Internet. Vocês, como se descrevem, são uma "comunidade mundial de organizações orientadas a missões que estão tornando o mundo um lugar melhor". Na minha cabeça, é disto que se trata a Internet e vocês são a fonte de inspiração e realização para a comunidade mais ampla da rede, que aspira a realização do mesmo objetivo. Meus cumprimentos.

No blog .org, um dos últimos registros são as suas instruções sobre como usar o .org e sua listagem de agências humanitárias e filantrópicas para apoiar o esforço essencial de ajuda ao Haiti. E eu observei, em sua página do Facebook, que um dos proeminentes registrados, a Go Daddy, doou meio milhão de dólares para ajudar as vítimas haitianas no mesmo dia, logo após o terremoto. A sua comunidade é um exemplo de solidariedade em ação.

Esta manhã, fui solicitado a oferecer a você, algumas considerações sobre o futuro da ICANN. Desnecessário dizer que esta rede (uma rede física) pode ser difundida de forma ampla ou restrita, da maneira desejada. Nossos planos, avaliações e decisões afetarão nossa comunidade ICANN e DNS – e eles também ocorrem no contexto da Internet universal e todo o seu impacto na sociedade, economia, nas vidas, esperanças e aspirações dos quase perto de dois bilhões de usuários de computadores da Internet atual e, ainda mais, através de telefones que lidam com as redes de protocolo da Internet. Atualmente, 25% do mundo usa a Internet através do acesso por computador, com uma população global de aproximadamente 7 bilhões. A população mundial crescerá, mas a penetração da Internet aumentará ainda mais rápido. A Internet chegará ao próximo bilhão e, eventualmente, se propagará a quase todos no planeta. Indiretamente, ela já afeta a quase todos. Os usuários da Internet acessam todos os dias, aproximadamente, 100 bilhões de páginas da web. Estas e outras atividades da Internet executam mais de um trilhão de pesquisas por nomes de domínios diariamente. Somente durante este discurso de uma hora, agora mesmo, 11.000 pessoas que nunca usaram a Internet antes irão participar desta movimentação mundial. Um milagre está ocorrendo. Estamos todos nos tornando conectados através deste fantástico e novo sistema global - esta nova fabricação de nossa sociedade e economia mundial. Uma das coisas mais importantes que precisamos fazer, é simplesmente dar o nosso melhor para manter o sistema funcionando e não atrapalhar este processo.

Tenho certeza de que esta comunidade e a ICANN compartilham desta mesma visão e filosofia mundiais. Você, assim como nós, está dedicada a fortalecer a segurança e integridade da Internet, aprimorando o acesso à tecnologia e expandindo para mercados inadequadamente atendidos.

Alexa, eu aprecio o compromisso expresso por você em palavras no seu blog de Fim de ano/Ano Novo no .org, de que esta comunidade deveria "apoiar modelos de governança multi-stakeholder, como a ICANN, e ajudá-los a operar melhor".

Como você está ciente, uma das áreas onde trabalhamos muito próximos é na publicação de parâmetros de protocolo. A IETF, Internet Engineering Task Force, é, como você sabe, a incrível rede de engenheiros, que desenvolveu a maioria dos Protocolos da internet, nos quais confiamos hoje. A IETF publica padrões de protocolo e, dentro desses padrões, especifica seus valores de parâmetros. Todos os diferentes valores são publicados em nome da IETF pela ICANN em sua função como Autoridade de Atribuição de Números da Internet (Internet Assigned Numbers Authority) ou de operador IANA.

Desta forma, a IETF é o órgão padronizador, e como parceiro, a ICANN oferece um serviço de publicação, para que todos no mundo possam acessar seus protocolos e parâmetros. Além disso, é claro, trabalhamos próximos de forma colaborativa com o nosso órgão "pai", a Internet Society, que financia muitas das atividades da IETF. A ISOC tem uma função muito importante – e uma rede global de usuários finais – e você capacita uma grande quantidade de pessoas no mundo todo. Além disso, na ISOC vocês têm seus próprios ecossistemas: você, a ISOC e a IETF têm funções essenciais e somos realmente parceiros nesta principal comunidade da Internet.

2. Canalizações e Valores

Somos a personificação da Internet e compartilhamos o que poderia ser chamado de uma dualidade central: uma infraestrutura e também um conjunto de valores. Ao mesmo tempo, uma construção de engenharia. De fato, um milagre da engenharia, se considerarmos as vinte milhões de vezes por segundo que o sistema DNS é usado, no mundo inteiro, por segundo - vinte milhões - quarenta milhões - bem, dá para ter uma ideia. Somos uma organização baseada em valores. A própria Internet é uma construção e uma visão. Em ambos os casos, miraculosa.

Os valores que advogamos e pelos quais trabalhamos são:

  • Universalidade – alcançar o mundo (ser global)
  • Integridade – manter a Internet junta, como um todo
  • Conectividade – permitir que todas as pessoas conectem-se
  • Transparência – abertura para toda a comunidade
  • Inovação – criar condições para promover isto
  • Abrangência – para todos os interessados
  • Segurança – garantir que a Internet continue funcionando
  • Estabilidade – proteger esta artéria global
  • Confiabilidade – já que há muito em jogo

3. O virtual e o global

Viviane Reding, membro do Conselho da União Europeia, disse, no ano passado, que o mundo real e o virtual estão se movimentando para a convergência. "O aumento exponencial de informações, o contínuo desenvolvimento de redes sociais, o crescimento acelerado de tráfego de vídeo online e o surgimento da "Internet das coisas", tornarão, progressivamente, os mundos online e real inter-vinculados". Isto tem implicações para o mundo e para a Internet.

Paralelo à Internet, a sociedade global esteve crescendo de forma ainda mais complexa e interdependente a cada ano. Os governos, organizações multilaterais, o setor privado e a sociedade civil, da mesma forma, chegaram ao conhecimento de que estão muitas vezes impotentes, ao agir em isolamento: as questões globais, tratados, oportunidades, desafios enfrentados, superam a capacidade, até mesmo dos mais resolutos e poderosos deles, de administrarem sozinhos. Pense na mudança climática e na Calamidade de Copenhague: ou como os meus amigos dinamarqueses reconhecem com tristeza, de Hopenhague para Nopenhague... Esta iniciativa continua, naturalmente, e algum progresso foi sinalizado: É importante demais para falhar. Mas, talvez, algo estivesse falho com o processo propriamente dito: o enorme zumbido e ruído do maquinário da negociação intergovernamental, os negócios discutidos durante as noites em salas de conferência com exaustos representantes... com a sociedade civil brava e isolada e, por fim, com os cidadãos do mundo deixados como vítimas, destinadas a explicar a inatividade de sua geração aos seus filhos e filhos deles.

Mudanças climáticas, ameaças à saúde pública, população e imigração, energia e sustentabilidade, confrontos de civilizações, terrorismo e pobreza, alimentação, agricultura e o ambiente - estes são resistentes aos melhores esforços dos atuadores individuais, países sozinhos, mesmo os maiores. Cada vez mais, vemos a influência e potencial da Internet aumentando em todas as esferas. Crescimento da ciência e inovação através da web, expandem-se para confrontar esses desafios, enquanto que as artérias universais das informações da Internet, estimulam o desenvolvimento, dinamizam as economias - e oferecem plataformas para o comércio, cultura e comunicação, seja para o bem ou até mesmo para o mal. O Talibã, dizem, é tão adepto como o ocidente ao impulsionamento de propaganda através da web.

Não é surpresa, de que o mundo virtual, o mundo da interatividade (talvez hiperatividade, se você tiver adolescentes por perto) e a Web 2.0 crescem diariamente, mais complexos e mais essenciais à sociedade global. Nosso modelo, nossa estrutura de governança multi-stakeholder, de abertura, de transparência, de persistência teimosa na busca de um consenso e acordo, está realmente pegando fogo e é atual. Estamos sendo solicitados a avaliar a disponibilidade, heterogeneidade, escalabilidade, mobilidade, gerenciabilidade, segurança, confiança, abertura e neutralidade da Internet.

As apostas estão mais altas a cada dia. Mais dinheiro está em risco, mais vidas dependem de nós, mais interesses vêem a Internet como seu sangue vital e estão mais preparados para lutar para que esses interesses prevaleçam. Não podemos nos sentar em nossas salas de reuniões, algumas vezes introspectivas, confortáveis, familiares e continuar a produzir nossas soluções familiares.

Nós simplesmente nos tornamos importantes demais. Não que isso seja totalmente bem-vindo. Mas é a realidade. Então, devemos estar preparados para tomar um curso ainda mais sofisticado, inclusivo, multi-stakeholder, a fim de defender as realizações e os valores nos quais são baseados comumente - ou seja, um interesse compartilhado, universal, não-parcial ou setorial.

4. Multi-stakeholder

Esta forma de governança, com suas características de controle descentralizado, de processos inclusivos e, por vezes, incontroláveis, de atenção às vozes da importância, tanto como das vozes de poder, é o que fundamenta a ICANN e, certamente, a governança atual da Internet. Eu sei que você, nesta comunidade, está tão comprometido com seus valores, como eu. Um de seus membros e especialistas de renome, Michael Nelson, observou, em um encontro da OCDE, que fomos confrontados com um "conflito de modelos" entre a governança de políticas tradicionais e a atual governança da Internet: A partir disto, eu observei que ele foi direto a favor da preservação da arquitetura aberta e descentralizada da Internet, a fim de maximizar as escolhas, inovação e criatividade. Eu concordo: o próximo bilhão de usuários chegará, contanto que não comecemos a construir paredes que a tornem mais cara, mais restritiva ou mais difícil para que possam fazê-lo.

Eu diria que, assim como os desafios globais que enfrentamos atualmente, não são suscetíveis a atuadores individuais, e até mesmo a grupos de atuadores individuais, gerenciando por si próprios, a governança da Internet também não é. O gerenciamento da complexidade é o desafio para que o mundo real e o mundo virtual - convirjam como estão. A forma moderna de governança é multi-stakeholder. Nós na ICANN, junto a você, nossos amigos na comunidade. chegamos a esta solução. É a correta, a moderna, a única solução satisfatória. Um fórum intergovernamental por si só não levará à frente as preocupações complexas e conflitantes de diversos interessados de uma forma sustentada. Nem uma organização 100% comercial, não importando o quão internacional ela seja. Nem uma congregação da sociedade civil. Somente um sistema multi-stakeholder, pode lidar com as necessidades de grupos essenciais de diversos interessados, conciliá-los, de buscar compromissos e almejar um consenso que reconheça o valor universal do ativo.

Este caminho, o caminho no qual já embarcamos, não será fácil, é claro. Ele se tornará ainda mais complexo, mas é adequado para gerenciar a complexidade. Nós na ICANN faremos o que pudermos para melhorar nossos processos, torná-los ainda mais simples, abertos e explicáveis para todas as partes interessadas.

Em relação a isto, a nova Declaração de Compromissos da ICANN, que sustenta a governança baseada no modelo multi-stakeholder da ICANN, do sistema global de endereçamento e nomes da Internet, ajudará a garantir que trabalhemos em uma base de política de desenvolvimentos factuais que afetam nossas atividades e operações. Estamos nos perguntando: como devemos mudar o que estamos fazendo em vista do acordo? Como devemos mudar nossos processos e trabalhar nossa responsabilidade sobre como explicamos as decisões que tomamos? Como isso deverá alterar nossa transparência?

A Declaração — a qual foi acordada entre o Governo dos EUA e a ICANN em setembro passado - é de longa duração e não limitada ao prazo de três anos que definiu os acordos anteriores. Isto é bom.

Ao mesmo tempo, estabelece, além de qualquer dúvida, que o modelo da ICANN é mais bem equipado para coordenar esse recurso vital e coloca as análises do desempenho da ICANN nas mãos de sua comunidade de partes interessadas globais.

Sob a nova Declaração, os EUA permanecerão comprometidos à participar do Comitê de Aconselhamento Governamental da ICANN - o qual aconselha a organização, em sua missão crucial, a assegurar que os sistemas de endereçamento e nomes permaneçam estáveis e seguros.

O novo acordo dita que a responsabilidade da ICANN em relação à nossa comunidade global de partes interessadas seja revisada pelo menos a cada três anos por um comitê composto por representantes da comunidade.

Nossa proposta para a estrutura de revisão, protocolos e prazos está disponível, desta vez, para comentários públicos. As revisões oferecem um mecanismo para avaliar o progresso da ICANN na direção dos quatro objetivos organizacionais fundamentais:

  • Garantindo a responsabilidade, a transparência e os interesses dos usuários globais da Internet
  • Preservando a segurança, estabilidade e resiliência do DNS
  • Promovendo a competição, confiança e escolha do consumidor
  • Política Whois

5. Internet Internacional, ICANN internacional

Então, aqui estamos nós na capital da nação, lotada, como de costume, por políticos simpatizantes e comentários exaltados sobre os caprichos dos altos e baixos atuais, na sombra do Capitol Hill. Preocupamo-nos com inovação, com ciência e tecnologia em nossas escolas, sobre ficar para trás nos investimentos para o futuro. Acho que podemos ser desculpados, neste contexto, por nos orgulharmos do papel americano no desenvolvimento da Internet e sua prática transformacional e potencial para o mundo. Nossos escritórios em Marina Del Rey estão no mesmo prédio onde o Dr. Jon Postel costumava sentar-se no escritório do University of Southern California Information Sciences Institute. Lá ele lidava com as delegações da zona raiz da Internet, alocações de bloqueio de endereços de rede, atribuições de parâmetros de protocolos e outras tarefas, com sabedoria considerável e benevolência, gerando globalmente, um grupo multi-stakeholder, de confiança, que ainda se envolve, atualmente, na criação de políticas da ICANN e governança da Internet.

Como você se lembrará aqui, foi em 1969 que o Departamento de Defesa dos EUA fundou o desenvolvimento da DARPAnet, um fenômeno bem norte-americano, e o trabalho para desenvolver a Internet, foi amplamente feito lá. No entanto, como alguém me instruiu após o encontro internacional da ICANN em Seoul em outubro, "Sim, Rod, mas os conceitos fundamentais da comutação de pacotes, foram na verdade, desenvolvidos também internacionalmente." De forma que o crédito internacional é verdadeiramente devido.

Consequentemente, a ICANN está se tornando - esperamos - mais internacional em nossas operações e em tudo o que fazemos diariamente. Isto é essencial. Sabemos que estamos no coração de um ativo global, que é simplesmente falando, totalmente integral ao progresso futuro e bem-estar do mundo. Nosso caminho internacional reflete a realidade. O papel da Internet na estimulação do crescimento econômico potencial em incintar e catalizar o desenvolvimento, em trazer os benefícios da comunicação e informação a todas as pessoas e todos os continentes, talvez seja, atualmente, a principal promessa da sociedade global.

Eu mencionei penetração na Internet: a década passada viu um crescimento de 174% na América do Norte. Porém, assistiu a um crescimento de 1.392% na África e 1.648% no Oriente Médio. No entanto, esta penetração ainda é de apenas 7% na África, havendo uma imensa necessidade não atendida, uma fome de informações gigante não alimentada e acesso que só pode nos desafiar pelos anos vindouros.

Nós, na ICANN, nos esforçamos para atender às demandas de uma Internet ainda mais universal, globalizada e acessível, em todos os seus benefícios. Em relação a isto, o IGF - o Internet Governance Forum - tem sido uma voz crítica e importante no avanço do ecossistema internacional e, na ICANN, em particular, constituindo uma plataforma consistente e construtiva para tornar a Internet mais internacional em todos os aspectos.

Obtivemos alguns resultados impressionantes no ano passado, nesta arena global e globalizadora, e há muito mais à frente.

IDNs e O Processo de Introdução Rápida

Estamos todos muito orgulhosos com o lançamento do Processo de Introdução Rápida de ccTLDs com IDNs de novembro passado. Ele é o resultado de 11 anos de preparação técnica e 7 anos de desenvolvimento de políticas. Os IDNs representam o maior avanço no uso de nomes na Internet, desde sua introdução há 40 anos.

Pela primeira vez na história da Internet, pessoas que não falam inglês, por todo o mundo, poderão ver os endereços da Internet, totalmente em seus próprios idiomas. Até hoje, 16 solicitações representando seis idiomas foram aceitas, como quatro alcançando o ponto onde eles inseriram o processo de delegação de domínio de nível alto padrão.

Nos anos por vir, continuaremos a desenvolver um processo mais permanente para a implementação de ccTLDs com IDNs.

A base técnica desse trabalho serão os protocolos IDNA — esses estão sendo finalizados pela Força Tarefa da Engenharia da Internet.

O desenvolvimento de políticas será fundamentado no trabalho, agora, em andamento em nossa Organização de Apoio a Nomes de Códigos de Países (ccNSO), junto às acomodadoras lições aprendidas do processo de introdução rápida.

O desenvolvimento de uma política de longo prazo para nomes de domínios internacionalizados, genéricos e com código de país, é ainda mais importante quando compreendemos que mais da metade dos consumidores, obviamente prefere obter informações em seu próprio idioma e que os sites da web, oferecidos em apenas um idioma, podem endereçar, no máximo, 30 por cento da população online total.

Globalização da organização

A adição de IDNs e gTLDs irá mudará o conjunto da comunidade ICANN, ao aumentar o número de registros e registrars em torno do mundo. O apoio a esses grupos será cada vez mais uma prioridade para nós. Estamos trabalhando para tornar os procedimentos e operações dessas inscrições mais transparentes, explicáveis e acessíveis, de uma forma que promova o aumento da participação global e compreensão de suas atividades

A comunidade ICANN está crescendo globalmente, também em outras áreas. Diversos países se uniram ao Governmental Advisory Committee no ano passado, incluindo a China, Georgia, Iraque, Mongólia, as Filipinas e a Federação Russa, levando o número de países representados para acima de 90.

O Governmental Advisory Committee terá um perfil ainda mais alto na ICANN do futuro.

O GAC terá um papel principal sobre como as equipes de revisão serão organizadas e, em selecionar os membros da equipe de revisão.

A comunidade At-Large adicionou aproximadamente 20 grupos de usuários individuais da Internet, ou estruturas At-Large, incluindo a primeira do Paquistão, levando o total mundial a acima de 135. Isto significa que usuários individuais e grupos de usuários poderão participar mais intensamente das políticas e tomadas e decisão da ICANN.

A Organização de Apoio a Nomes de Domínio também deu as boas-vindas a adições notáveis como a Rússia (ponto-ru) e à União Europeia (ponto-eu), levando sua afiliação a 100 operadores de código de país.

Apenas no mês passado, a ICANN e União Postal Universal baseada na Suíça, assinou um acordo histórico, concedendo à UPU, autoridade administrativa para .pos, como domínio de nível superior. Tornar isto realidade, exigiu longas negociações, revisão pública através do processo de comentários públicos da ICANN e consideração por parte de seu Conselho de Diretores. Passar o acordo pela UPU exigiu um esforço equivalente e que valeu a pena. O resultado é o novo domínio de nível superior que a UPU e os países membros podem usar para fornecer serviços novos e excitantes.

A ICANN também ingressou em um acordo importante com uma outra entidade da N.U.: a Organização Educacional, Científica e Cultural das nações Unidas. Este acordo ajudará a expandir a inclusão de tantos grupos de idiomas quanto possível, através da implementação de IDN. Esta realização, ajudará a ICANN a cumprir com sua missão de inclusão global ao expandir nossa ampla arena de partes internacionais interessadas.

Para alcançar o número sempre crescente e diversificado de indivíduos e organizações, nosso braço de parcerias globais continuará a:

  • oferecer projetos e iniciativas com grupos de interessados;
  • fornecer treinamento e educação à comunidade da Internet nas crescentes regiões da ICANN;
  • conduzir reuniões individuais com representantes governamentais e reguladores a níveis locais e regionais.

Este trabalho disponibiliza desde a promoção - facilitando a participação em processos da ICANN, levando pessoas a suas reuniões - até atividades educacionais e promocionais entre os diversos grupos.

Devemos e continuaremos a globalizar todos os aspectos das operações da ICANN que sustentam nosso modelo multi-stakeholder, de maneira a atender de uma forma apropriada e efetiva, as necessidades de uma base de interessados globais e multilingues.

6. Outras direções essenciais para a ICANN

Novo programa gTLD

A comunidade ICANN também fez enormes progressos no ano passado, em relação à implementação de domínios de nível superior genéricos, a qual criará uma concorrência maior, confiança do consumidor e escolha do consumidor no espaço dos nomes de domínio.

O manual de orientação do candidato, atingiu sua terceira revisão, refletindo a cuidadosa implementação de comentários públicos e as recomendações de muitos especialistas.

Continuaremos a trabalhar na resolução de algumas poucas questões remanescentes. Nosso foco em 2010, será continuar a trabalhar na prontidão operacional, a fim de explorar ainda mais a possível introdução de um modelo para expressões de interesse/pré-registros e para resolver questões pendentes de uma forma que acomode as preocupações legítimas das partes interessadas.

IPv6 – Para 4.294.967.296 e além!

Nos últimos anos, você provavelmente ouviu muito sobre a necessidade de todas as redes e provedores de serviço se tornarem compatíveis com IPv6. Existem diversas razões que explicam a crescente importância da implementação do IPv6. Vejamos os números.

Permitir a todos no mundo o acesso completo à Internet é uma meta que vale a pena. Mas ela não pode ser alcançada sem a expansão do sistema de endereçamento numérico - isto fundamenta os nomes de domínios que usamos diariamente. A Internet cresceu baseada no IPv4 nos últimos 30 anos. Contudo, estamos nos aproximando de um ponto onde esse espaço de endereços estará completamente alocado. Vejamos: existem 7 bilhões de pessoas ao redor do mundo e menos de 4 bilhões de endereços IPv4 utilizáveis.

Como você pode saber, mais cedo neste mês, a ICANN alocou dois blocos IPv4 para a APNIC, o Registradora da Internet Regional para a região do Pacífico Asiático. Isto deixou um pool livre de endereços IPv4 de menos de 10 por cento do total. O que isso significa? Agora, há apenas 385 milhões de endereços IPv4 remanescentes para os usuários da Internet - e ainda há bilhões de pessoas sem acesso.

Se fôssemos dar a eles acesso à mesma Internet que usamos - aquela onde é fácil usar tecnologias ponto a ponto, como conferências de vídeo e VoIP - eles precisariam de conexões à internet com endereços únicos. A única forma de fazer isso, é implementando o IPv6 para o máximo de pessoas possível, o mais rápido possível.

A boa notícia, é que com o IPv6, temos mais endereços do que o suficiente para todas as pessoas, no mundo desenvolvido e no em desenvolvimento. Com o IPv6 há endereços suficientes para todos. Sob o IPv6, cada pessoa no planeta, poderia ter trilhões de endereços para sua própria casa ou negócio. De fato, todos os 30.000 ISPs e negócios em mais de 190 países, membros das Organizações de Registro de Internet Regionais - as organizações que distribuem endereços - podem obter trilhões de endereços IPv6, apenas demonstrando sua necessidade. Há mais do que o suficiente para todos.

A adoção é importante. É por isto que a raiz do DNS e as redes e serviços da ICANN são acessíveis via Ipv6, bem como todos os servidores de nome .ORG.

Mas a ICANN, .ORG, as outras TLDs, pontos de troca e etc, são apenas a infraestrutura da Internet. Agora, nós coletivamente, precisamos que, consumidores, negócios, ISPs, provedores host, provedores de conteúdo e redes de todos os tipos, habilitem e utilizem o IPv6 em suas redes, de forma que os novos usuários possam compartilhar da mesma rede que confiamos.

7. Segurança e desafio Virtuais

O mundo real e os mundos virtuais estão convergindo. Gerenciar a complexidade torna-se o nosso maior desafio para ambos. Da mesma forma que o potencial e a importância da Internet para o mundo real e complexo crescem rapidamente, os perigos também A Internet perdeu sua inocência. E eu não estou me referindo a sites pornô! Esses, provavelmente, ainda são inocentes em comparação a ameaças à segurança da rede. O desprezível fenômeno do crime virtual, conflito virtual e guerra virtual, dominou as manchetes com um número cada vez maior. Alguns falaram de uma nova Guerra Fria Virtual, porque, como sabemos, as ameaças crescem exponencialmente. O perigo é imposto tanto a indivíduos com identidades roubadas através de crimes virtuais e vidas arruinadas, a nações com ataques de segurança, mesmo em períodos ostensivamente pacíficos, e a sistemas completos de gerenciamento internacional, finanças, energia, transporte, cadeias de fornecimento, comunicações - mesmo na medicina, com o crescimento contrariamente promissor de diagnósticos de emergência. Estamos em uma nova fase de perigo e guerras virtuais. Precisamos de ideias totalmente novas para combater isso, para minimizar os ricos, para planejar e contar com os perigos do males virtuais, assim como com a promessa do potencial virtual.

Na ICANN, estivemos, naturalmente, envolvidos no ano passado, lidando com o worm Conficker, um botnet de propagação especialmente ampla e portanto ameaçador. Assumimos um papel de liderança na resposta da comunidade DNS ao Conficker, facilitando o compartilhamento de informações entre pesquisadores de segurança e operadores de registro de TLD. Este trabalho realçou o valor da resposta colaborativa pela comunidade DNS - e os desafios de fazer isto de forma ad-hoc.

Portanto, agora, estamos colaborando com nossos parceiros no Conficker Working Group, a fim de aumentar a segurança, estabilidade e capacidade de respostas de resiliência da comunidade DNS e para assegurar que esses esforços estejam vinculados com a comunidade de segurança virtual mais ampla.

Maio passado, publicamos o nosso primeiríssimo Plano para uma maior segurança, estabilidade e resiliência da Internet. Esse documento define o nosso papel na segurança, confiabilidade e resiliência da Internet. É um documento vivo, e planejamos continuar a atualizá-lo para refletir a natureza dinâmica das questões de segurança que continuam a ameaçar uma Internet estável e resiliente.

Existem agora mais de 900 registrars certificadas pela ICANN - e nós colaboramos com eles, a fim de garantir a segurança, estabilidade e resiliência da Internet. Nossa relação com essas registrars, ocorre através de um Contrato de Credenciamento de Registrar (Registrar Accreditation Agreement - RAA, em inglês) que define determinados padrões para a coleta e retenção de dados. Ele também contém políticas que ajudam a oferecer suporte à segurança, estabilidade e resiliência do Sistema de Nomes de Domínios. Essas políticas foram desenvolvidas pela comunidade ICANN e algumas delas abrangem:

  • A Política de Transferência Inter-Registrar
  • A Política para Lembrete de Dados Whois
  • A Política de Precisão para Nomes Devolvidos

Nosso staff de comunicação com registrars, monitora a conformidade das registrars com as exigências do RAA. Eles o fazem através da resolução informal de queixas dos registrantes e disputas entre-registrars, e através de análises de certificação, cada vez que o RAA de uma registrar é renovado.

Também desenvolvemos diversas formas de endereçar falhas potenciais das registrars e isso ajuda também a manter um Sistema de Nomes de Domínios mais estável.

Por exemplo, temos um programa de Caução de Dados de Registrar (Registrar Data Escrow program) que exige que as registrars depositem, regularmente, um backup de dados de registro com um terceiro.

E o nosso Procedimento de Transição de Registrar Descertificado, facilita a transferência oportuna de registros, de um registrar descertificado para um certificado.

Também temos diversos processos operacionais internacionais que ajudam a manter um ambiente de registro de domínios saudável e a evitar problemas para os que estão se registrando e para usuários da Internet, se uma registrar falhar.

Para o futuro, planejamos continuar o desenvolvimento de políticas em relação a melhorar a certificação das registrars e as exigências da Caução de dados, aprimorando o RAA. Também continuaremos a desenvolver procedimentos e processos nos sistemas atuais contratuais e de políticas, a fim de proteger os que estão se registrando e, por fim, aumentar a segurança, estabilidade e resiliência do Sistema de Nomes de Domínios.

Por exemplo, há um trabalho em andamento para:

  • Apertar os procedimentos de inscrição para certificação
  • Estabelecer exigências de elegibilidade e regras de desqualificação para O RAA, mais altas
  • Desenvolver procedimentos que permitam aos registrars sair do mercado de forma responsável.

Também planejamos fortalecer nossos esforços de imposição de conformidade futuros. Isto nos permitirá a encerrar a certificação de uma registrar, onde as ações da mesma ameacem a segurança e estabilidade do Sistema de Nomes de Domínios.

No futuro, continuaremos a construir uma comunidade de registrars forte, através do alcance para o compartilhamento das melhores práticas da indústria. Implementaremos novos canais de comunicação, a fim de ajudar as registrars, como relatórios e respostas oportunos às ameaças críticas à segurança.

Garantir a estabilidade e segurança do Sistema de Nomes de Domínios e outros identificadores únicos permanecem uma prioridade universal para a ICANN. Por exemplo, recentemente concluímos um upgrade significativo do servidor raiz "L" operado pela ICANN, incluindo o upgrade de todas as instâncias anycast existentes e adicionando uma nova instância anycast global na república Tcheca em outubro passado. O servidor raiz "L" pode agora, tratar facilmente, mais de um milhão de consultas por segundo. Continuaremos a manter e melhorar o servidor raiz "L", a fim de garantir a segurança e estabilidade no serviço DNS pelos próximos anos através de:

  • Continuar a atualizar a capacidade da rede, roteadores e servidores DNS
  • Simplificar e aumentar o desempenho da arquitetura do servidor raiz L
  • E implementar instâncias Anycast do servidor raiz "L" junto a sistemas de monitoramento e gerenciamento altamente aprimorados.

Também continuaremos a aprimorar a segurança e resiliência de nossas operações das funções IANA, através da busca de padrões industriais de excelência comercial, segurança da informação e operações, investindo em capacidade aumentada e implementando processos mais eficazes.

Continuamos a trabalhar para melhorar a segurança da Internet em diversos outros frontes. Após a operação bem-sucedida da DNSSEC — as Extensões de Segurança do Sistema de Nome de Domínios — em um ambiente de testes raiz, por mais de dois anos, estamos agora trabalhando com o Department of Commerce National Telecommunications and Information Administration (NTIA) e a VeriSign para garantir que uma zona assinada de raiz DNS, DNSSEC esteja totalmente disponível em 2010. Já fizemos progressos significativos na direção a essa realização.

Uma pesquisa de operadores de códigos de país conduzida em 2009, descobriu que 25 por cento das 65 ccTLDs que responderam à pesquisa, tinham implementado a DNSSEC, de 7 por cento em 2007. Também descobrimos, que 80 por cento dos registros remanescentes, planejam implementar a DNSSEC em um futuro próximo.

8. Conclusão

Meus amigos e colegas nesta estimada comunidade:

Eu tive vinte anos de experiência como CEO e investidor de uma empresa de alta tecnologia na Silicon Valley. Também tive aproximadamente quinze anos de experiência em trabalhos com políticas, mas eram primariamente políticas ambientais e aproximadamente dois anos na segurança virtual. Também passei três anos em redes de comunicações com CEOs para um trabalho de diplomacia global, peace and Track II.

De forma, que na verdade, sou relativamente novo nas políticas e governança da Internet. Para mim, esta atribuição e desafio é realmente onde minha vida acontece. Governança na Internet, é a confluência das inúmeras e diferentes coisas com as quais lidei pelas duas décadas e meia de minha carreira. Sinto-me realmente honrado em estar aqui.

É um privilégio enorme fazer parte de sua comunidade. Conforme aprendo, serei enormemente grato pela sua orientação, seus insights e experiência. Esta é, como você sabe, uma tarefa de importância essencial para o futuro da humanidade. Eu não quero me autopromover aqui. A Internet pode ser divertida também: aparentemente, 1 entre 8 casais nos EUA, se conheceram pela Internet no ano passado... Mas nós temos uma responsabilidade global.

O ano passado, foi um ano verdadeiramente histórico para a comunidade ICANN e para a comunidade global da Internet. A Internet chegou mais perto do que nunca de atingir seu potencial como um bem comum para os próximos bilhões de usuários e além. Nossa comunidade de interessados está evoluindo para espelhar o alcance e diversidade mundiais da Internet.

O próximos anos serão, sem dúvida, igualmente cruciais. Estamos apenas começando a compreender o que a ICANN fará, agora que a Declaração de Compromissos está instaurada. Nós sabemos que a ICANN continuará a apoiar o trabalho essencial de grupos de interessados individuais. Isto, trabalhando de forma colaborativa com eles, a fim de garantir que a Internet do futuro permaneça uma tecnologia transformadora que dê poder às pessoas ao redor do mundo, a buscar inovação, facilite a troca e o comércio e permita o fluxo livre e liberado de informações e continue a refletir o interesse público.

Um Mundo.

Uma Internet.

Todos conectados.

Obrigado.

Terei prazer em responder perguntas pelo tempo que temos remanescente.

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